
Na escuridão da noite. Numa cidadezinha pequena, que mais parecia pintada. Sem luz. Andando numa ruazinha procurando a casa. Eram duas amigas. Perdidas. Naquele paraíso vestido de breu. Chovia. Chovia mais. Por isso estava sem luz. Passava um carro vez ou outra, aí iluminava o caminho. ‘Eu estou com medo’. ‘A gente não vai achar’. Mas elas riam. Riam muito. Estava divertido o passeio. Elas só queriam pegar umas cervejas em casa e voltar pra festa no centro da cidade. ‘Porque viemos? Vamos voltar!’ ‘Não... A gente acha’. ‘Acha nada. Vai tatear as paredes?’. Não se via nada. Uma voz. ‘Olha lá’. ‘Quem está falando?’. ‘Não sei amiga...’ ‘Tô com medo’. ‘Elas estão sozinhas’ ‘Vamos voltar! Agora chega!’.... Voltando a passos apressados. ‘Ei! Vocês querem uma vela?’ ‘Onde? Cadê?’ ‘Aqui!’. ‘Tá quase... Aqui na luz’. ‘A gente quer sim’. ‘Nossa, muito obrigada!’ ‘Pode pegar’. ‘Obrigada’. ‘A chuva apagou a vela’. ‘Eu tenho isqueiro’. ‘Coloca a mão em cima...’. ‘É por aqui’. Elas não paravam de rir. ‘Que situação é essa?’. ‘Isso é surreal’. ‘Eu fiquei com medo daqueles caras’. ‘Eu também’. Apaga. Acende. Apaga. Acende. ‘Chegamos’. ‘Pega rapidinho as cervas e vambora’. Apaga. Acende. Apaga. Acende. Andando rapidinho. Chuva continua caindo. Mais fraquinho. Chegando ao centrinho. Onde a festa rolava solta. Mal chegaram e a luz voltou. ‘Piada, né?’. ‘Se a gente esperasse um pouquinho’. Rindo. As duas. Bêbadas. Molhadas. Com uma vela na mão e a cerveja na outra.
1 comentários:
Que bacana!! adorei a maneira como voce narrou..rsrs sou sua fã Ta.
beijinhos
Clau
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