
Eu adoro esse livro (independente se Lewis Carroll era pedófilo ou não. Um dia eu debato isso aqui pra quem não sabe dessas suspeitas dos historiadores). Um dos meus preferidos de história infantil. Um dos que eu mais me identifico. Quando eu era criança eu vivia num mundo paralelo, de fantasias e amigos imaginários – acho que toda criança vive isso – mas ainda hoje eu tenho que controlar a minha imaginação e meus devaneios...rs... Por um lado é muito bom, porque me ajuda a escrever, por outro lado, me ajuda a criar ilusões. Estou tentando sempre trazer isso para o lado bom e real. Mas voltando ao mundo de Alice... Uma das partes que gosto muito é quando ela está encolhendo (Quem nunca ‘encolheu’ na vida?). De vez em quando vou colocar trechos desse livro maravilhoso aqui...:
"Que sensação estranha", disse Alice. "Eu devo estar encolhendo como um telescópio!"
E daí era fato, ela estava agora com apenas 25 centímetros de altura, e seu rosto resplandeceu ao pensar que aquele era o tamanho exato para atravessar a portinha em direção ao adorável jardim. Primeiro, entretanto, ela esperou alguns minutos para ver se ainda iria encolher: ela sentiu-se um pouco nervosa em relação ao fato "porque isso pode resultar, você sabe", disse Alice para si mesma, "em eu sumir como uma vela". A menina ficou pensando como seria, tentando imaginar como a chama de uma vela se parece depois que a vela acaba e ela não conseguiu lembrar de ter visto alguma vez algo assim.
Afinal, achando que nada mais aconteceria, ela decidiu-se a entrar no jardim, mas, pobre Alice! Quando ela chegou à porta, lembrou-se que tinha esquecido a pequena chave dourada, e quando voltou até à mesa, percebeu que não era possível pegá-la. Alice podia avistá-la através do vidro e tentou o máximo possível para escalar uma das pernas da mesa, mas era muito escorregadia; e quando desistiu, a pobrezinha sentou e chorou.
"Vamos, não há razão para chorar assim", disse Alice. “Eu lhe aconselho deixar isso pra lá neste minuto." Normalmente ela se dava bons conselhos (embora raramente os seguisse) e às vezes repreendia-se tão severamente que chegava a ficar com lágrimas nos olhos. Uma vez, ainda lembrava-se de ter tentado boxear suas próprias orelhas por ter trapaceado consigo mesma em um jogo de críquete que jogava com ela mesma, pois essa curiosa criança gostava de fingir ser duas pessoas.
– Lewis Carroll.
(Arte da Foto: Claudia Raini)
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